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Permacultura: você já conhece?

O que é? Quando começou? De onde veio?

A sociedade possui um estilo de vida que, aos poucos, esgota os recursos naturais, como, por exemplo, a agricultura intensiva e extensiva. A permacultura é uma alternativa real de transformar o nosso modo de vida. Sua ética, seus princípios e suas técnicas permitem a mudança na forma como cada um enxerga a natureza ao seu redor.

Permacultura é uma expressão originada do inglês “Permanent Agriculture” e foi criada por Bill Mollison e David Holmgren na década de 70 do século passado. Atualmente, a permacultura engloba a compreensão da ecologia, o reconhecimento de padrões naturais, a leitura da paisagem, o uso de energias e a utilização consciente dos recursos naturais. Seu intuito é planejar e criar ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza.

Vale ressaltar que a Permacultura se originou a partir de pesquisas sobre as culturas humanas que conseguiram permanecer por longo tempo sem destruir seu meio em diversos lugares e períodos da História da Humanidade. Assim, percebeu-se que a harmonia com a natureza está ligada a uma visão filosófica na qual o convívio entre as pessoas e a natureza é o maior valor.

No que a permacultura se baseia?

A permacultura possui três éticas e princípios de planejamento que se baseiam na observação da ecologia e da forma sustentável de interação, de produção e de vida das populações tradicionais com a natureza, sempre trabalhando a favor e nunca contra.

Éticas da permacultura:

  1. Cuidar da terra : visa o cuidado dos nossos recursos naturais;
  2. Cuidar das pessoas : visa a vida social em harmonia e conexão com a natureza;
  3. Cuidar do Futuro (Dixon, 2014; Harland, 2018; McKenzie e Lemos, 2008) incentivando Limites ao crescimento e ao consumo (Mollison, 1988)  e a Partilha justa (Holmgren, 2002). Visa a criação de sistemas de compartilhamento, limitando os excessos de consumo, cujo cuidado está voltado para as necessidades das gerações futuras.
Os doze princípios de planejamento

Serviços como a captação de água da chuva, manutenção do ciclo natural dos alimentos, a reciclagem de materiais, utilização de energia proveniente de fontes limpas e renováveis, e o reuso de possíveis materiais que se encontram longe de estarem inseridos no modelo padrão de produção de alimentos, contudo são a base da permacultura. Há outras técnicas comuns da permacultura, tal como banheiro seco, galinheiro rotativo, horta mandala, canteiros redondos, ecovilas, compostagem e minhocários.

Esse modelo sustentável tem como base o consumo diretamente ligado à capacidade de suporte renovável, conservando a mata natural de determinado espaço, associando-a à plantação de culturas comerciais, que possibilita a regeneração do meio produtivo e até mesmo a absorção do impacto ambiental.

  1. Observe e interaja:
    Deve-se observar o sistema como um todo, conhecendo muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.
  2. Capte e armazene energia:
    Faz-se necessário entender como a natureza capta e armazena energia para reconstruir o capital natural energético nas paisagens, nas regiões e microbacias, no ambiente doméstico, na cultura e pensar no seu uso apropriado, identificando os recursos acessíveis em seu local de atuação, como, por exemplo, a água da chuva.
     
  3. Obtenha rendimento:
    Além de pensar em soluções a longo prazo que melhorem as condições de vida no planeta, é necessário obter um rendimento a curto prazo. Pode-se buscar esse rendimento de forma saudável para as pessoas envolvidas e em harmonia com a dinâmica natural local e regional. Excedentes como as frutas e até os produtos beneficiados também podem ser comercializados em forma de venda ou troca.

     
  4. Pratique a autorregulação e aceite conselhos (feedbacks):
    Por não controlarmos inúmeros fatores que envolvem cada processo, às vezes são necessárias interferências ou manutenções. Ouçamos as respostas das nossas ações, a fim de evitar consequências que esse sistema traz a curto, médio e longo prazo, como comunidades atingidas pelas barragens, desflorestamento, diminuição da fauna, desequilíbrio de ecossistemas inteiros, consequentemente causando êxodo rural, perda de saberes tradicionais, descontrole climático e perda da biodiversidade.
  5. Use e valorize os serviços e recursos renováveis:
    Anteriormente ao uso dos elementos, se faz necessário observar se há outras possibilidades de atender a demanda através de estratégias que não consumam elemento algum. Por exemplo, as energias diárias e sazonalmente renováveis como das marés, da água e vento, e a utilização diária do sol.
  6. Não produza desperdícios:
    Durante o processo de permacultura, percebe-se que tudo pode ser encarado como recurso. Tendo esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de recusar, reduzir, reaproveitar, reparar e reciclar o que é possível.
  7. Projete dos padrões aos detalhes:
    Não tomar o todo pelas partes. A busca por uma sociedade adaptada aos ciclos naturais, os esforços estarão mais no sentido de adaptação aos padrões naturais locais, que busca inovações tecnológicas para reparar nossos erros.
     
  8. Integrar ao invés de segregar:
    A permacultura acredita nas relações cooperativas e simbióticas, pois tendem a contribuir mais do que relações meramente competitivas, visando a construção de uma sociedade com práticas adequadas em harmonia com a natureza.
  9. Use soluções pequenas e lentas:
    Na utilização pelas pequenas e certeiras estratégias de manejo, vemos resultados lentos, mas que podem ser eficazes e duradouros.
  10. Use e valorize a diversidade:
    O planeta Terra possui uma diversidade ampla, sendo essencial à nossa vida. Logo, devemos aprender com ele, cultivando-o, desfrutando de maneira consciente, seja na produção alimentícia ou no convívio humano. Deste modo é possível garantir a segurança alimentar e a harmonia das populações.
  11. Use os limites e valorize o marginal:
    A valorização e contribuição das bordas e os aspectos marginais e invisíveis de qualquer sistema deve não somente ser preservado e reconhecido, mas que a ampliação  desses aspectos implica no aumento da estabilidade e produtividade do sistema.
      
  12. Responda criativamente às mudanças:
    É necessário que a reavaliação do sistema seja constante, de acordo com os resultados obtidos, por mais que o planejamento seja de forma mais ampla antes da execução ou começo. Diversos fatores podem influenciar nos resultados, sendo assim a criatividade uma forma de superar as mudanças inesperadas.

    A partir dessa perspectiva, conclui-se que, para a sociedade consciente da problemática, há dois caminhos a serem trilhados, que convergem e são independentes:

1. “Atuar no decrescimento do sistema global, por meio da educação ecológica crítica e promovendo a adoção da visão ecológica nas cidades, nas indústrias e nos sistemas administrativos e financeiros convencionais. Trata-se de um processo que pode ser denominado Transição para Cidades Sustentáveis e é uma estratégia considerada de cima para baixo (“Top-down”).”

2. “Atuar na transição rápida ao patamar de sustentação renovável do planeta por meio do desenho, discussão e implantação de novos modelos de produção e consumo de tipo comunitário, autossuficientes, sustentáveis e descentralizados. Trata-se de um processo de inovação e geração de Sistemas Produtivos Rurais Sustentáveis e é uma estratégia de baixo para cima (“Bottom-up”).”

Estudando a permacultura, percebe-se a possibilidade de um enorme avanço para quem possui acesso de forma coletiva a recursos naturais, sendo totalmente independente de empresas e governo, criando e desenvolvendo sistemas que beneficiam as gerações futuras e trazem o sentido de rever o projeto cultural no qual estamos inseridos no momento atual.

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