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Animais na Agricultura: Inimigos ou Aliados?

Cavalo puxando arado. Exemplo do uso de animais na agricultura.
Já parou pra pensar no papel dos animais na agricultura ao longo dos séculos? Temos um histórico de parceria ou de exploração e extermínio?

Por volta de 10 mil anos a.C., acontecia a primeira revolução agrícola, quando deixamos o sistema de caça e coleta para nos dedicarmos à agricultura. Foi também neste período que dominamos a criação de animais. Ambos os eventos foram de suma importância na história da humanidade. A agricultura permitiu o uso prolongado da terra, enquanto a domesticação dos animais provia, não apenas carne em abundância para o consumo, como uma evolução nos meios de transporte. Deixamos de ser nômades e criamos raízes, possibilitando o surgimento das primeiras grandes civilizações. Mas qual foi o preço do progresso? Nosso convívio com espécies, até então selvagens, trouxe benefícios mútuos ou constituiu um regime de exploração?

Entre os séculos XVIII e XIX, ocorreu na Europa, a segunda revolução agrícola. Neste contexto, pretendia-se aumentar a produtividade e diversificar a produção. Para tal, muitas técnicas foram desenvolvidas e outras aprimoradas. Dentre elas, podemos citar o aumento da atividade pecuária e o uso da tração animal. Por estes e outros aspectos, foi possível atender a demanda crescente em um mundo cada vez mais povoado e conectado. O uso do trabalho animal na produção agrícola trouxe diversos benefícios, como a possibilidade de extensão da área cultivada, o aumento da produtividade e a redução da mão-de-obra. Ainda hoje é utilizada, pois dispensa os gastos com combustível e diminui os impactos ambientais. No entanto, deve-se atentar para o histórico de maus tratos e excesso de esforço sofrido por estes animais.

Revolução Industrial
Trator a vapor. Substituto do uso de animais na agricultura.

Com a revolução industrial, houve o surgimento dos primeiros tratores a vapor. Este advento substituiu boa parte da atividade humana e a tração animal na agricultura, trazendo uma produtividade ainda maior. Com a mecanização dos meios de produção, foi possível expandir ainda mais as áreas cultivadas, levando a produção agrícola a uma nova era.

Para os animais, no entanto, o progresso cobrou novamente um preço alto. A expansão da atividade agrícola culminou na aceleração do processo de desmatamento e na consequente destruição de habitats. A poluição do ar proveniente da queima de combustíveis também não passou despercebida à fauna local. A implementação da monocultura extensiva trouxe prejuízos imensos aos ecossistemas, abalando equilíbrio entre as espécies e gerando sérios problemas ecológicos.

Agrotóxicos e a guerra contra as “pragas”
Gafanhoto, animal considerado praga na agricultura.

Na primeira metade do século XX, durante a Primeira Guerra Mundial, surgiram os compostos químicos que dariam origem ao que conhecemos hoje como agrotóxicos. Seu uso se intensificou durante a Segunda Guerra Mundial, quando era usado como arma química. Com o término da guerra, o produto passou a ser usado para combater um inimigo diferente.

No pós-guerra, muitas das tecnologias desenvolvidas para o combate foram aproveitadas para outras áreas. A população europeia, castigada pelo conflito, passava fome. Neste contexto, surgiu a chamada “revolução verde”, que visava intensificar a produção agrícola para atender a alta demanda por alimentos e combater o cenário de fome no mundo. As antigas armas químicas foram convertidas em defensivos agrícolas, possibilitando uma produção numa escala sem precedentes.

O primeiro agrotóxico foi o composto orgânico DDT, criado em 1874 por Othomar Zeidler. Somente no ano de 1939, sua propriedade inseticida foi descoberta por Paul Muller, rendendo-lhe o prêmio Nobel da química em 1948. Anos depois, foram descobertos os diversos prejuízos que o DDT e outros compostos organoclorados trazem para a saúde humana.

Os defensivos foram utilizados para o combate a diversos insetos, como mosquitos ­— propagadores de doenças, em especial a malária — e as chamadas “pragas” na agricultura. Mas o que são estas pragas e de onde vieram? Em ecossistemas naturais, as mesmas espécies que produzimos para o nosso consumo prosperam sem o ataque em massa dos insetos que vimos na agricultura extensiva. A resposta está na forma como produzimos.

Ao substituir ecossistemas complexos e diversificados, a monocultura gera um desequilíbrio entre as espécies que existiam no local. Com a destruição de seu habitat natural, muitos animais acabam morrendo por não conseguirem se adaptar às mudanças no ambiente, seja por escassez de alimentos, perda de espaço ou outros fatores essenciais para a sua sobrevivência. Estes animais faziam parte de uma teia alimentar complexa e equilibrada. A sua ausência pode gerar a redução ou o aumento das populações das outras espécies que compunham esta rede. Geralmente, aqueles que conseguem prosperar são justamente os que se beneficiam das culturas implementadas pela agricultura. Ou seja, as espécies que “atacam” a produção crescem em número, por abundância de alimento e ausência ou diminuição de predação. Desta forma, geram graves prejuízos à produção agrícola e são chamadas de pragas.

Os agrotóxicos visam proteger os cultivos destas pragas. No entanto, acabam exterminando, não somente as espécies desejadas, mas outras que viriam a predá-las ou até mesmo contribuir com a produção. Este processo contribui ainda mais para o desequilíbrio do sistema, gerando um ambiente cada vez mais dependente dos defensivos. Assim, criamos um ciclo de prejuízos aos animais e à população, que consome os alimentos infectados.

Animais a favor da produção
Abelha polinizando flor. Exemplo do papel dos animais na agricultura.

Será que podemos “utilizar” os animais na agricultura sem prejudicá-los? É possível criar um sistema que traga benefícios mútuos para ambos as partes. Ao apostar na policultura e na preservação de parte da vegetação nativa, podemos produzir sem necessariamente destruir os ecossistemas. A fauna local, então, faria o papel de controle biológico de pragas, além de beneficiar a produção com relações ecológicas naturais. Mas que benefícios são esses?

Um processo importantíssimo para o desenvolvimento de flores e frutos é a polinização. Esta ocorre por meio de animais, em geral insetos, que são responsáveis por transportar os gametas de uma flor para a outra, possibilitando a fecundação. Muitos animais podem desempenhar este papel, como abelhas, mariposas, moscas, besouros, pássaros e até mesmo anfíbios, répteis e morcegos.

Podemos também utilizar animais que se alimentem de espécies vegetais que prejudicam a produção, como ervas daninhas. Outros realizam um processo de adubação e preparo natural do solo, além da dispersão de sementes. Um exemplo é a rizipiscicultura, que une a criação de peixes à produção de arroz. Podemos citar também a utilização das fezes de alguns animais para o processo de compostagem, gerando adubo orgânico. São muitas as possibilidades, que mostram como podemos conviver com os animais, até mesmo com a fauna local, na produção agrícola.

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