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Rizipiscicultura: uma produção lucrativa e sustentável

Rizipiscicultura: piscicultura associada à produção de arroz.
Já pensou em conciliar a piscicultura à produção de arroz? Saiba como ambos podem coexistir em harmonia e ainda trazer benefícios mútuos ao sistema.

A rizicultura nada mais é do que a produção de um dos alimentos mais presentes na culinária brasileira: o arroz. No Brasil, mais de 70% da produção deste grão é oriunda da Região Sul, cultivado no sistema de irrigação por alagamento do solo. Esta técnica, tradicionalmente utilizada no continente asiático, apresenta uma produtividade consideravelmente maior que a do arroz sequeiro. No entanto, o solo inundado apresenta alguns problemas, como a proliferação de algas indesejadas e alta incidência de insetos, atraídos pela água.

Mas como solucionar estas questões de forma sustentável? Uma forma é aliar a produção de arroz à piscicultura — criação de peixes — na chamada Rizipiscicultura. Estima-se que esta técnica milenar tenha surgido a mais de mil e quinhentos anos no Sudeste asiático e na Índia. Embora tenha perdido espaço com os avanços tecnológicos no meio agrícola, ainda é utilizada em vários países. Chegou no Brasil na década de 70, em especial em Santa Catarina, onde o clima mais frio e úmido viabiliza sua implementação. Os benefícios são muitos e, quando implementada de forma correta, pode até reduzir os custos da produção de arroz.

Alimentação compartilhada
Peixe se alimentando de algas.

O ambiente é farto para os peixes, que se beneficiam da alimentação abundante. Espécies onívoras podem consumir sementes de plantas invasoras, como arroz vermelho, capim arroz e ciperáceas, além de larvas de insetos, caramujos e bicheira da raiz do arroz. Sementes perdidas de arroz e restos da produção também são aproveitadas, deixando o local mais limpo e menos suscetível a doenças.

Os peixes, no entanto, não são os únicos beneficiados. Estes realizam um processo de reciclagem da matéria orgânica. Suas fezes são incorporadas à água e decompostas em nutrientes que servirão de adubo para o arroz. O nitrogênio, por exemplo, compõe os produtos da amônia secretada pelos peixes e essencial no processo de fotossíntese.

Como escolher as espécies?
Carpa para Rizipiscicultura.

Dentre as funções dos peixes no sistema, estão o preparo do solo e o controle de espécies vegetais invasoras e de pragas. Para isto, é necessária uma seleção detalhada das espécies, assim como a quantidade de cada uma no sistema. Para uma convivência saudável, deve-se escolher espécies que não briguem entre si e que realizem suas funções na produção com a intensidade necessária.

Diversas espécies podem ser utilizadas, como o tambaqui, o curimatá e o lambari, nativos do Brasil e de outros países da América do Sul. O mais comum, no entanto, é o policultivo de carpas, peixes asiáticos.

Nesta técnica, utiliza-se de três a cinco espécies de carpas com funções diferentes no sistema, como o exemplo abaixo:

  • Carpa Húngara (Cyprinus carpio variedade húngara): esta é a espécie mais importante do sistema e deve existir em maior quantidade que as demais. Sua função é preparar o solo. Ao revolver o lodo à procura de alimento, o peixe o engole, separa o alimento e regurgita as sobras. Este processo dispensa a utilização de máquinas e o uso de esterco como fertilizante.
  • Carpa Capim (Ctenopharyngodon idella): esta é a responsável por eliminar a resteva e plantas invasoras, como a planta do arroz e gramas boiadeiras.
  • Carpa Prateada e Carpa Cabeça Grande (Hypophthalmicthys molitrix e Aristichthys nobilis): Estas duas fazem a filtragem de plâncton. A carpa prateada se alimenta exclusivamente de fitoplâncton, enquanto a cabeça grande consome o zooplâncton.
Cuidado com predadores
Garça predando peixe. Perigo para a piscicultura.

Muitos animais podem predar os peixes, em especial os alevinos. Ao se utilizar do fluxo de rios ou lagos para a lavoura, é essencial introduzir filtros para evitar a passagem de predadores aquáticos. Dentre eles, podemos citar jacarés, tartarugas, cobras d’água e, até mesmo, outras espécies de peixes.

Os animais aquáticos não são os únicos que podem apresentar riscos à criação. Devemos nos preocupar também com predadores aéreos, como a garça, o martim-pescador, o bem-te-vi e outros pássaros. Para afastá-los, podemos utilizar espantalhos mecânicos ou luminosos e até mesmo cachorros adestrados para esta função.

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